A ilusão

Eu os achava lindos. Acompanhava de longe, por meio de publicações, aquele relacionamento que eu considerava um exemplo. Ela escrevia sobre ele, ele fotografava ela. Quando o término chegou, parecia que somente haviam entrado em comum acordo, não era mais namoro, era só amizade e, mesmo assim, continuei achando um exemplo de relacionamento.

Semana passada, ela publicou um texto. No texto, contava como esse relacionamento foi horrível, o quão abusivo o namorado era e o quanto ela sofreu. Me senti tão mal por ela ter sofrido tudo aquilo e pior ainda por ter idealizado aquela relação.

Depois, fiquei pensando que somos enganados por aquilo que vemos nas redes sociais dos outros, só observamos um fragmento de carinho e felicidade e achamos que aquelas pessoas são sempre assim. Como somos ingênuos! Nós nunca saberemos de verdade o que acontece se não formos conversar e conhecer as pessoas direito. As pessoas deixaram de se preocupar em perguntar como as pessoas estão, pois, acham que, só por acompanhar as publicações nas redes sociais, já sabem tudo o que está acontecendo. Substituem a interação física pela virtual e acham que é o suficiente, mas, não é.

O cara sumiu, apagou todas as redes sociais, até as profissionais. A garota até recebeu comentários que a acusavam de acabar com a vida social e profissional do cara. Mas, felizmente, recebeu mais comentários oferecendo apoio e ajuda. Nisso, vemos que as redes sociais têm sim um poder de atualizar para várias pessoas como está a sua vida, mas nunca, repito que nunca, pode substituir as amizades presenciais. E, por favor, procure saber como as pessoas estão realmente, não se contente em só curtir as fotos e textões.

Fafá ;*

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Minha primeira externa

Há cerca de um mês eu comecei a seguir o Maurício de Sousa no instagram, não sei se por sinal de destino ou por algum motivo que não lembro agora. Vi todos os dias pelo menos uma publicação mostrando o amor que ele tem por sua família, pelos seus personagens e por tudo que ele construiu.

Ontem, eu ganhei um enorme presente, participei, depois de um ano trabalhando no SBT, da minha primeira externa, que não poderia ter sido mais especial. Eu conheci pessoalmente o homem que participou da minha infância e do começo pelo meu interesse pela leitura, o próprio Maurício de Sousa.

Ao entrar na Maurício de Sousa Produções, meus olhos brilharam com toda a magia que aquela empresa possui e assim foi até o final da coletiva do filme Turma da Mônica – Laços. E posso dizer que não fui só eu que me emocionei. Ao fim da apresentação do vídeo em que mostrava as crianças recebendo a notícia de que foram as escolhidas, as luzes acenderam e muitos dos presentes na coletiva estavam em lágrimas, não puderam conter a emoção de ver algo presente na infância de todos, algo tão presente em nossa cultura, criando vida.

A coletiva tinha o clima gostoso de um churrasco familiar, pudemos conhecer a Mônica, a Magali, A Mariangela, a Marina e o Bidu. Mas, não foi só por ter várias filhas do Maurício no local, mas também por ele tratar toda a sua equipe como se fossem da família.

Saí de lá extremamente feliz pela oportunidade que tive de aprender mais sobre a área que escolhi para a minha vida e de receber toda aquela energia daquele local e daquelas pessoas. Só tenho a agradecer, com muito carinho, às pessoas que me possibilitaram isso.

Fafá ;*

Sobre não conseguir escrever – Parte 2

Tive um professor que dizia que, em algum ponto na vida de um escritor, ele irá escrever sobre o fato de não conseguir escrever.

Aqui está: meu segundo texto sobre não conseguir escrever!

É louco como eu, que sempre utilizei da escrita para aliviar minhas angústias e enxergar melhor a minha vida, estou passando meses sem colocar uma palavrinha no papel. Vai ver é por isso que os sentimentos andam tão conturbados.

Entre uma rotina de trabalho e faculdade, o tempo anda correndo de mim como se fosse um maratonista da São Silvestre. E as coisas que eu amo, vão ficando esquecidas, principalmente as que exigem algum tipo de esforço mental.

Mas, ontem, meu namorado me mandou um áudio no qual eu lia, extremamente sem graça, um texto que eu havia escrito sobre ele. E me deu saudades de escrever.

Então, é isto que estou fazendo aqui. Mais uma vez escrevendo sobre o fato de não conseguir escrever.

A leitura ainda estou conseguindo levar, um pouco menos agora que a vida adulta chegou e o dinheiro diminuiu. Aliás, não deveria ser o contrário? Cadê os milhares de reais que eu sonhava que ia ganhar e as viagens que achei que já teria feito?

Achei que também já teria um livro publicado, mas, como, se eu não consigo escrever nem legenda de foto no Instagram. Pode verificar, a maioria das atuais não tem legenda, no máximo um emoji.

Acho que esse texto foi mais para contar que a vida não segue nada do que imaginamos e as vezes esquecemos de fazer algo que gostamos. Mas, o que amamos, um dia lembramos e voltamos a fazer, as vezes até melhor.

Fafá :*

9 de setembro

Nesse final de semana, 9 de setembro, o Rio de Janeiro perdeu um pedaço de sua beleza. O Rio de Janeiro perdeu meu avô, Eraldo, 90 anos de uma vida que foi vivida intensamente.

Assim como quando aconteceu a morte de sua esposa, minha avó, Rosinha, me vem à mente a música Dona Cila, da Maria Gadú.

Foi um enterro estranho, sem velório, sem pessoas. Como uma pessoa tão amada não teve mais de dez pessoas em seu enterro? Espero que, pelo menos, essas pessoas que o amam tenham rezado por ele.

Eu estava preparada para ter um final de semana tranquilo, mas a vida é assim mesmo, bate sem avisar.

Eu tive um dos finais de semana mais tensos da minha vida. E eu só precisava descansar. Mas, eu estava ali por ele, para rezar e agradecer pela vida dele e por tudo que ele nos proporcionou.

O convívio não era muito, mas dará saudade. Levo na lembrança os momentos em que nos ensinava a dar milho aos galos, patos e marrecos que tinha aos montes em seu quintal, em pleno Rio de Janeiro. O jeito mulherengo e contador de histórias, que só queria que as netas estudassem muito e crescessem bem.

Os últimos anos não foram fáceis, na verdade, ainda não tá sendo, porém, o tempo todo, só desejamos o amor.

Meu avô está no céu, eu sei, só observando toda essa bagunça na terra e vendo que rezamos por ele todas as noites.

Fafá :*

Hoje eu preciso ser triste

Me deixe ser triste hoje.

Eu preciso chorar.

A melancolia será minha copilota durante o dia.

Amanhã eu melhoro.

Mas, eu preciso ser triste.

Preciso lembrar de cada momento bom.

Preciso sentir o gelo das lágrimas escorregando pelo meu rosto.

Amanhã eu tento dar um sorriso.

Hoje eu preciso ouvir músicas tristes e olhar o céu sem dizer nada.

Tudo aconteceu tão rápido.

Então, me deixe curtir a tristeza e todos seus acompanhantes.

Me deixe pensar em tudo que o futuro poderia ter nos dados.

Me deixe tomar um banho quente e, às quatro horas da tarde, colocar meu pijama e dormir até amanhã.

Amanhã, você segura a minha mão e me diz que hoje não foi, mas que amanhã será um dia mais fácil.

Amanhã, você me diz que tudo irá se resolver.

Hoje eu preciso que nada dê certo, porque eu sei que tem alguma coisa faltando.

Fafá :*

Rosinha

Ontem, indo ao trabalho, começou a tocar a música Dona Cila da Maria Gadú e eu lembrei da minha avó paterna. No começo, eu só tava olhando para o céu, mas depois comecei a lembrar que foi só um pouco antes dela morrer que começamos a nós aproximar. Lembrei do dia em que fizemos muffins com gotas de chocolate, foi a primeira vez, em quase quinze anos, que cozinhando juntas. 

Ela nunca foi muito o perfil de vovó fofa e acolhedora, mas seu carinho era claramente de outra forma, tinha uma preocupação com as pessoas e mesmo longe, fazia questão de saber tudo o que acontecia. Mesmo nos vendo só uma vez por ano, sempre sabia tudo que acontecia. Na verdade, era muito antenada, sabia de tudo que estava acontecendo no mundo. As nossas visitas só aumentaram quando o câncer apareceu e eu penso sempre que não deveria ter sido assim.

Também ontem, minha mãe falou do enorme carinho que tem pela sogra, que a ensinou a ser uma mulher com amor próprio, vaidade e certeza do que quer. Foi muito triste ver aquela mulher que sempre estava com pelo menos um batom, se desfazendo aos poucos, sendo cada vez menos ela mesma.

Eu a alimentei. Eu a banhei. Eu pintei a sua unha. Porém, esse é o primeiro texto que eu escrevi dedicado à ela.

Espero, com muita força no coração, que ela esteja muito bem no paraíso e que, mesmo com um certo medo meu, um dia ela venha me visitar. E, mesmo me incomodando o fato da aproximação tarde demais, que um dia eu entenda que tinha que ser assim e que eu era só uma menina, dependia de outras pessoas para ir até ela. E que Rosinha teve tempo de ser uma sementinha que vai sempre germinar em nosso interior.

Um beijo Dona Rosinha, que você esteja escutando muita Marisa Monte, novo cd da Mallu Magalhães é muitos cantos de pássaros.

Fafá :*

Naquele dia tive medo.

Medo por não entender o que estava acontecendo.

Só existia o vazio.

Eu não sentir nada me confundiu.

Podia ser um tchau.

Podia ser uma recaída.

Você sabe o que é sentir nada?

É desesperador.

É desesperador você querer um coração acelerado.

Querer sentir o toque daquela mão em seus cabelos.

O nada é sufocante.

Então, finalmente, sua mãos conseguem recuperar o meu coração.

Seus lábios me trazem de volta à superfície daquele mar revolto.

E eu, felizmente, percebo que só tinha deixado algo me distrair de todas as delícias que estavam ao meu redor.

Algo me fez esquecer o quão feliz eu estava por estar simplesmente ali.

Ali.

Do seu lado.

Espero que nunca mais eu esqueça.

Fafá :*