Seu Moletom

Hoje, quando bateu uma saudade de você, corri pro meu armário e vesti seu moletom. Ele estava quente, como se tivesse deixado o calor de seu corpo só para o moletom estar sempre preparado para mim. Foi como se você estivesse aqui, me abraçando bem forte, me esquentando e acalmou meu peito.

É em momentos assim que penso o quão sortuda sou em te ter só pra mim, não que você seja meu, mas sim porque está comigo. Eu passo meu perfume por toda a minha roupa e capricho no moletom só pra você também ter um pouquinho de mim quando vier aqui e tiver que dormir usando-o. Aproveitei e passei um pouco na pulseira , aquela que deixou comigo depois de eu perder seu colar, eu fiquei decepcionada, mas você confiou em mim. Agora, ela não sai do meu pulso, assim como você não sai de mim.

Fafá :*

 

Meu bem

Me ensinaram que é errado dar o primeiro passo, se entregar e é por isso que talvez eu esteja me reprimindo. Deixo as coisas seguirem o seu tempo pra ver se flui, se funciona e acabo não falando muito tudo o que guardo.

Eu ia fazer um texto de um mês, porém, fiquei com medo de que quando deixasse as palavras saírem, alguma outra coisa também pudesse ir. Então, não escrevi sobre como as coisas parecem tão rápidas e ao mesmo tempo tão certas. Nem confessei que, desde a primeira conversa, torcia para aquilo funcionar. Que é você o único que me viu nua, de corpo e de alma, e percebi que não poderia ter sido diferente. Ou que quando sorri fechando os olhos, dorme abraçado comigo ou faz qualquer coisa que faça meu coração acelerar, parece que sempre teve um espaço reservado e mobiliado nele que só estava te esperando chegar para ali morar.

O medo é parte frequente da minha vida, consequência da ansiedade, só que quando conversamos isso some e parece que o mundo é nosso, podemos fazer o que quisermos se estivermos juntos. Você me faz querer crescer, ser mais.

Ainda não me sinto totalmente segura, mas, com os pés no chão, digo que topo me entregar se você estiver comigo nessa. Ontem você me fez chorar e foi a primeira vez que as lágrimas saíram por algo bom, por algo tão bonito. E agora eu também choro ao escrever esse texto, pois ao mesmo tempo que é libertador me despir desse modo, sinto medo de te assustar ou algo dar errado. Eu só quero que você fique tranquilo e favorável Hahaha 😉

Sempre foi mais fácil pra mim, utilizar a tristeza como inspiração, e é por isso que passei mais de dois meses sem escrever. Mas, cá estou eu, escrevendo sobre ti, sobre felicidade e sobre o bem que você me faz. MEU bem.

Fafá :*

Você pode segurar a outra alça, por favor? – Sobre as bagagens emocionais de cada um.

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Pessoas têm bagagens. Antigos relacionamentos, coisas que aprenderam, cicatrizes, histórico familiar, vale a pena desistir de uma viagem só porque a bagagem do outro pesa um pouco? Ou porque a alça da mala tá meio quebrada?

Eu acho que não. Ter alguém disposto a segurar a outra alça é dividir esse peso contigo, é tornar um relacionamento mais forte e mais gostoso. Aliás, faz a outra pessoa  gostar mais de ti e você dela.

Quando a viagem é gostosa, a bagagem é o que menos importa. Às vezes, até esquecemos umas coisas e outras no meio do caminho e não voltamos para buscar. Naquela viagem descobrimos que aquele chinelo antigo que sempre levávamos para tudo quanto é lugar nem nos servia mais e abandonamos lá naquele quarto de hotel, nem ligamos para ver se alguém encontrou, pois não importa mais, o chinelo novo é até mais confortável que o antigo.

Segurar a outra alça da bagagens de alguém é aliviar o peso em seus braços, mostrar que ela não precisa embarcar nessa sozinha e que você não quer ser só mais um forasteiro em sua vida.

Eu seguro a sua alça se você segurar a minha. Deixa eu ser a sua companheira de viagem?

Fafá :*

 

 

Cenas – 28

Ana e Bernardo. Parece nome de protagonistas de novela juvenil, mas não era. Ele era só um cara tentando concluir o ensino médio e ela quase formada em ortodontia. Se esbarraram em uma festa na qual ele entrou escondido por não ter idade suficiente, ela achou que ele era mais velho, confundiu-se, mas não se arrependeu. Não, isso não é um trecho de Eduardo e Mônica.

Um dia, em um parque, seu cachorro brigou com a dela, e foi assim que se reencontraram. Mas, dessa vez, conversaram e ele, que acredita em destino, não deixou ela ir sem dar o número de celular. Já ela, só cedeu o número por não aguentar mais aquele menino, charmoso, mas meio chato, insistindo sem parar.

No mesmo dia Bernardo já mandou mensagem, só que ela não respondeu…

A vida seguiu, ela começou o tcc e ele terminou o vestibular…

Era o primeiro dia do novo semestre, ela estava preparada com a mochila cheia de farinha e tinta, mas não teve coragem de tacar, pois era ele que estava ali indefeso e perdido na faculdade.

Ana, que antes não acreditava em destino começou a acreditar e Bernardo foi o primeiro calouro a ter coragem de convidar uma veterana pra sair (pela segunda vez).

Fafá :*

 

Fotos encontradas naquela casa com cheiro de bolo.

Eu, que sempre me acho a mesma em fotos, me perdi naqueles álbuns encontrados em um armário antigo daquela casa com cheiro de bolo. Fotos que talvez eu nunca tenha visto antes, minha infância registrada em cliques e flashes, uma Fabíola loira e de cabelos lisos com meias listradas que iam até os joelhos ao lado de uma outra Fabíola de vestido rodado perdida em um sofá com estampa de flores vermelhas que parecia gigante no mundo daquele ser minúsculo.

Semana passada ele assistiu à alguns vídeos antigos meus, eu morrendo de vergonha ouvi que aquilo, ver o que eu fui e olhar para o que sou, só o fazia reservar um lugar cada vez maior em seu peito.

Percebi que mudei, não somente fisicamente, mas internamente também. Não sei se foram boas mudanças ou se elas foram ruins, principalmente porque isso tudo é muito relativo, porém, naquele momento vi que aquela Fabíola sumiu e ela não se reconheceria no seu eu do futuro, só não sei se ela teria orgulho ou decepção. Eu mesma não sei o que sinto por mim mesma, me amo, me aceito, mas será que sou exatamente o que queria ser?

Escrevi um email para a Fabíola do futuro, deve chegar daqui há uns três anos, espero ansiosamente para que a de 23 anos tenha muito orgulho da de agora e do que ela é no presente (dela) e que ela olhe as fotos de agora e sinta o calor no coração que eu senti quando vi aquelas fotos naqueles álbuns encontrados em um armário antigo daquela casa com cheiro de bolo.

Fafá ;*

Fez puf e sumiu

Ás vezes eu queria sumir.

Não para sempre, mas simplesmente não aparecer, não estar.

Não estar aqui em casa quando a minha irmã chegar da escola sem a chave de casa.

Não aparecer na faculdade em um dia de apresentação de trabalho.

Não responder mensagens.

Não atender ligações.

Só sumir.

Só pra ver se as coisas funcionariam sem mim.

Não que eu me ache hiper importante e insubstituível, mas para ver como seria.

Iria faltar algo?

Perceberiam minha ausência?

Quanto tempo demoraria para as coisas voltarem ao normal como se eu nunca estivesse  aqui?

Isso também me faz pensar, se eu sumir o que eu estaria deixando como “legado”?

Fiz algo importante o suficiente para ser lembrado?

Eu tenho mil vontades, mas não consigo realizar nem metade, só não sei se é culpa do destino ou é só culpa minha.

E por não conseguir fazer o que quero acho que realmente estou sumindo.

Aos poucos…

Vagarosamente…

Até…

PUF

E ninguém me percebe mais…

E ninguém me necessita mais…

S

U

M

I

Fafá ;*