Rosinha

Ontem, indo ao trabalho, começou a tocar a música Dona Cila da Maria Gadú e eu lembrei da minha avó paterna. No começo, eu só tava olhando para o céu, mas depois comecei a lembrar que foi só um pouco antes dela morrer que começamos a nós aproximar. Lembrei do dia em que fizemos muffins com gotas de chocolate, foi a primeira vez, em quase quinze anos, que cozinhando juntas. 

Ela nunca foi muito o perfil de vovó fofa e acolhedora, mas seu carinho era claramente de outra forma, tinha uma preocupação com as pessoas e mesmo longe, fazia questão de saber tudo o que acontecia. Mesmo nos vendo só uma vez por ano, sempre sabia tudo que acontecia. Na verdade, era muito antenada, sabia de tudo que estava acontecendo no mundo. As nossas visitas só aumentaram quando o câncer apareceu e eu penso sempre que não deveria ter sido assim.

Também ontem, minha mãe falou do enorme carinho que tem pela sogra, que a ensinou a ser uma mulher com amor próprio, vaidade e certeza do que quer. Foi muito triste ver aquela mulher que sempre estava com pelo menos um batom, se desfazendo aos poucos, sendo cada vez menos ela mesma.

Eu a alimentei. Eu a banhei. Eu pintei a sua unha. Porém, esse é o primeiro texto que eu escrevi dedicado à ela.

Espero, com muita força no coração, que ela esteja muito bem no paraíso e que, mesmo com um certo medo meu, um dia ela venha me visitar. E, mesmo me incomodando o fato da aproximação tarde demais, que um dia eu entenda que tinha que ser assim e que eu era só uma menina, dependia de outras pessoas para ir até ela. E que Rosinha teve tempo de ser uma sementinha que vai sempre germinar em nosso interior.

Um beijo Dona Rosinha, que você esteja escutando muita Marisa Monte, novo cd da Mallu Magalhães é muitos cantos de pássaros.

Fafá :*

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