Cenas – 28

Ana e Bernardo. Parece nome de protagonistas de novela juvenil, mas não era. Ele era só um cara tentando concluir o ensino médio e ela quase formada em ortodontia. Se esbarraram em uma festa na qual ele entrou escondido por não ter idade suficiente, ela achou que ele era mais velho, confundiu-se, mas não se arrependeu. Não, isso não é um trecho de Eduardo e Mônica.

Um dia, em um parque, seu cachorro brigou com a dela, e foi assim que se reencontraram. Mas, dessa vez, conversaram e ele, que acredita em destino, não deixou ela ir sem dar o número de celular. Já ela, só cedeu o número por não aguentar mais aquele menino, charmoso, mas meio chato, insistindo sem parar.

No mesmo dia Bernardo já mandou mensagem, só que ela não respondeu…

A vida seguiu, ela começou o tcc e ele terminou o vestibular…

Era o primeiro dia do novo semestre, ela estava preparada com a mochila cheia de farinha e tinta, mas não teve coragem de tacar, pois era ele que estava ali indefeso e perdido na faculdade.

Ana, que antes não acreditava em destino começou a acreditar e Bernardo foi o primeiro calouro a ter coragem de convidar uma veterana pra sair (pela segunda vez).

Fafá :*

 

Cenas – 27

Cheguei em casa cansada, ofegante e logo tirei meus sapatos com estampa de onça. Minha cadelinha veio brincar e acariciei sua barriga por minutos. Assim que recuperei minhas forças fui ao meu quarto e encontrei-te deitado em minha cama, sereno, cansado de me esperar para fazer uma surpresa. Encaixei-me naquele conforto, passei meus dedos por seus cachos negros e beijei sua maçã do rosto. Você despertou por causa do movimento e com voz sonolenta disse:

-Eu queria ter feito uma surpresa, mas você demorou e caí no sono…

Respondi que: – Desculpa, a minha aula demorou, porém a surpresa eu tive sim.

Virou-se, acariciou meu rosto, me deu um beijo e sussurrou em meu ouvido: – Dorme comigo.

Sem nem trocar de roupa, dormi. E acordei também ao seu lado, com seus beijos.

Fafá ;*

Cenas – 26

Lembro bem daquele dia. Eu estava usando meu vestido azul com estampa de joaninhas, um braço seu puxou a minha cintura para mais perto, sua outra mão tirava meu cabelo da frente de meus olhos para eu te ver completamente enquanto acariciava minha bochecha e dizia: – Eu te amo.

Nunca havia sentido um calor tão forte em meu peito e aquele líquido quente escorria pelos meus olhos, era a primeira vez que tudo aquilo acontecia e a emoção transbordava em mim. Eu já sabia que te amava, mas não queria falar ali agora, pois achava que ia parecer falso, então fiquei sem reação. Mas, você, não quis uma resposta, só me abraçou forte . Você estava tão feliz por ter conseguido se entregar e eu só queria morar naquele abraço por muito tempo.

Fafá ;*

A ordem

Me chama para sair.

Conversa comigo.

Me paga um sorvete.

Me lambuza (de sorvete).

Me faça rir.

Tira o cabelo da frente do meu rosto.

Olhe fixamente em meus olhos enquanto perde a fala.

Olhe fixamente a minha boca.

Morda o canto da sua boca.

E aí me beije.

Não dá para trocar ou pular etapas.

Porque a ordem importa.

Fafá :*

Cenas – 25

Eu observava aquele rapaz, quase homem, alto, magro, com uma certa beleza delicada, passeando seus dedos finos e longos pelo vidro da janela. Mesmo vestindo terno e uma camisa azul, roupas tão sérias, percebia-se sua inocência.

Quando ele encarou meus olhos, eu não consegui desviar. Sem reação alguma, continuou a escrever a sua história no vidro e eu acompanhei o ritmo dos seus dedos.

AMOR.

Uma princesa.

Um príncipe.

DRAGÃO

Muito fogo.

Muitas lágrimas.

Ele virou e deparou-se com a minha cara tensa, tentando decifrar os desenhos e observando o rumo que a história estava tomando. Voltou-se à janela.

FUMAÇA

Uma borboleta.

ATÉ LOGO

E a borboleta voou até a porta… E ele foi embora…

Fafá :*

Cenas – 24

Ela estava de roupão de bolinhas e esperava para usar o banheiro.

O quarto dele era em frente ao banheiro, então ele conseguia vê-la dançando enquanto esperava para usar o banheiro, os fones no ouvido e o celular no bolso. Ele parecia estar hipnotizado pela balanço dela ao som do CD da Tove Lo e chegava a nem piscar. Foi aí que ela abriu os olhos e acabou descobrindo que era vigiada por aqueles olhos cor de avelã.

Faziam semanas que o grupo estava se preparando para aquela viagem no meio do mês de julho para Campos do Jordão e ela estava extremamente feliz em estar ali, fazendo a sua primeira viagem com os amigos e pagando com o seu próprio dinheiro. Suas amigas insistiram que algo aconteceria entre ela e aquele menino de cabelos negros e enrolados, mas não acreditou, pois, elas sempre estavam tentando juntá-la com alguém. Porém, quando o viu ali, com os olhos arregalados por ter sido pego em flagrante, percebeu que suas amigas estavam certas dessa vez…

A porta do banheiro se abriu, um cara loiro saiu, ela entrou e a porta fechou.

Ele, envergonhado, logo deitou, virado para a parede e se cobriu. Odiava ter ficado sozinho mas, chegou tarde na casa, todos os quartos compartilhados já estavam ocupados e ele teve que ficar com o único que só tinha uma cama, de casal, pra ajudá-lo ainda mais a sentir-se sozinho. Mal percebeu que uma menina de cabelos armados estava parada de roupão, bem na porta dele, colocando novamente os fones no ouvido se preparando para cantarolar.

“Everyday people do/Everyday things but I/Can’t be one of them/I know you hear me now/We are a different kind/We can do anything”

(Todos os dias pessoas fazem/Coisas cotidianas, mas eu/Não posso ser uma delas/Sei que você me ouve agora/Somos de uma espécie diferente/Podemos fazer qualquer coisa)

Ele vira-se em direção a porta, ela sorri e continua.

“We could be heroes/We could be heroes/Me and you…”

(Podemos ser heróis/Podemos ser heróis/Eu e você…)

Volta a dançar, dá o sinal e ele começa a acompanhá-la como um dueto.

“We could be heroes/We could be heroes/Me and you/We could be…”

(Podemos ser heróis/Podemos ser heróis/Eu e você/Podemos ser…)

Nesse momento, ela já está sentada do outro lado da cama de casal e os dois riem da situação. Viraram a noite assim, um ao lado do outro, sem dormir, só conversando, acabando com a solidão e tornando essa a melhor viagem possível.

Fafá :*

Cenas – 23

Eles se viram no ônibus. Estava chegando o ponto dela, então, apertou o botão e se posicionou bem a frente da porta e, consequentemente, ao lado dele.

Ela desceu do ônibus e se pôs a andar em direção à sua casa, atravessou a rua para ir pela área mais iluminada e começou a cantarolar uma música, pois, como a sua avó diz “Quem canta seus males espanta.”

Olhando para o outro lado, mais escuro, mal iluminado e coberto de árvores, vê aquele menino, que estava todo sério lá no ônibus, caminhando tenso e olhando para o chão.

Decide atravessar novamente a rua.

-Ei! Menino! – Ela diz, sem encostá-lo.

Ele dá um pulo de susto, mas vira-se.

Ela continua:- Desculpa te assustar. É que eu estou andando sozinha e é meio deserto por aqui…

Ele continua calado, apenas olhando-a e escutando.

-Então.. Percebi que estamos indo para a mesma direção. Você pode me acompanhar?

Ele suspira aliviado e responde sorrindo: -É claro.

O caminho não é longo, mas eles já conseguem descobrir um o nome do outro, seus cursos na faculdade, se seus signos combinam e até comem um pastel juntos.

Quando chegam no condomínio dela, se despedem e ele segue o caminho até o condomínio vizinho.

Eles não trocaram telefones, nem marcaram nada, apenas confiariam no destino. E este seria muito amigo dos dois.

Fafá :*